ARTIGO DE OPINIÃO: PANDEMIA E SUA IMPLICAÇÃO NA EDUCAÇÃO

ARTIGO DE OPINIÃO: PANDEMIA E SUA IMPLICAÇÃO NA EDUCAÇÃO
Imagem: internet

“Imagine o mundo do ponto de vista de um vírus faminto, ou mesmo uma bactéria: nós constituímos uma esplêndida pastagem com nossos bilhões de corpos humanos onde, em um passado muito recente, só havia metade desse número. Em cerca de 25 a 27 anos, a população humana terá duplicado, um alvo magnifico para qualquer organismo que consiga adaptar-se para nos invadir”. (William H. McNeill). 

              Sem aviso prévio e carta de apresentação a pandemia da Covid-19 se instalou com alarde e com muito ruído no planeta Terra. Sem o devido tempo para planejamento, tudo mudou radicalmente na nossa vida. Já passou um ano e estamos de novo às voltas com seus trágicos e dolorosos impactos, deixando-nos inseguros e com inúmeras limitações. Os cientistas assertivam que entramos em um segunda onda e é possível que outras virão. Hospitais superlotados, UTIs ocupadas na sua totalidade, toque de recolher e circulação restrita, índice alarmante de óbitos e tantos outros cenários apocalípticos. Esta descrição pandêmica é restrita aos tempos hodiernos? A resposta é não!     

             Na história da humanidade, doenças causadas por seres invisíveis como os vírus e bactérias não são novidade. Podemos citar a chamada Praga ou Peste do Egito na antiguidade, a famosa Peste Negra ou Bubônica no Medievo e uma bem parecida com a Covid-19 e chegou bem próximo dos nossos avós ou bisavós, a Gripe espanhola.  A que estamos vivendo agora, surto de Covid-19, causada pelo Coronavírus começou na China em dezembro de 2019 e, devido à  Globalização, se espalhou pelo mundo com uma rapidez jamais observada. Apesar do avanço inegável da medicina e da parafernália tecnológica a serviço da humanidade, milhares de pessoas estão morrendo diariamente e outras em estado preocupante de depressão.
     
             A História e a Medicina estão muito próximas no sentido de estudar a História das doenças ou a História da medicina. Essas pandemias, assim como a atual, provocada pelo Coronavírus, são doenças que provocam mudanças radicais nas estruturas sociais, políticas, educacionais, religiosas, como temos vivenciado diariamente. Ou seja, mudam e dão uma nova face à História.

             Neste cenário, mesmo após os esforços dos governos, dos institutos de pesquisa, das universidades e da sociedade, a educação tem ficado refém às circunstâncias adversas da pandemia.

             Em muitas nações o fechamento das unidades de ensino foi circunstancial, enquanto que no Brasil se passou para o ensino remoto sem as devidas e necessárias preparações e nem observando a faixa etária e nível de ensino. Ficaram à deriva. Os que tiverem ajuda em casa e condições de acesso à internet, se adaptaram mais rápido. Adolescentes manifestaram resistência. Universitários foram se ajuntando. O certo é que nada ficou como antes.

              A questão do acesso (ou não) ao ensino remoto veio escancarar ainda mais as imensas desigualdades sociais e econômicas presentes no Brasil. Os estudantes matriculados em escolas públicas, fazendo comparação com as escolas privadas, foram os mais prejudicados. Porém, de alguma forma todos perderam. Os efeitos na educação são brutais.  Os estudantes estão sofrendo e ainda sofrerão os efeitos deletérios por muito tempo da privação do ensino presencial. Ainda tem aqueles e aquelas que por vários motivos abandonaram a escola e não pretendem mais voltar.  

             Há uma reivindicação constante pelo retorno à normalidade das aulas presenciais. E por que não retornam? Sem dúvida nenhuma o não retorno está associado às questões de natureza sanitária. Já são 250 mil mortes no Brasil por Covid-19. Enquanto alguns países direcionaram esforços para vacinar os profissionais da educação, a exemplo do Chile, o Brasil patina feio em um Plano Nacional de vacinação que não possui efetividade para imunizar a população. Diante deste cenário emerge uma pergunta inquietante: qual o futuro da educação na modalidade presencial? Para obtermos uma resposta mais próxima da sensatez, não cabe radicalismos e polarizações, e sim muito diálogo e prudência. 

Professor Ms. Luiz Carlos R. da silva
Solracro9@gmail.com